17 DE ABRIL: MALBEC WORLD DAY

No dia 17 de abril se comemora o Dia Internacional da Malbec. A data foi estabelecida pela associação de produtores argentinos (Wines of Argentina), em 2011, para melhorar o posicionamento de seu vinho no mundo.

Se hoje a casta é quase sinônimo de vinho argentino, isso não foi sempre assim. A malbec tem sua origem no sudoeste da França (Gascônia), onde é a base para os vinhos muito escuros e densos, denominados “Cahors” (principal cidade da região). Segundo as normas locais, o vinho de Cahors deve conter um mínimo de 70% de malbec e o restante pode variar entre a tannat e merlot.

A cidade de Cahors está localizada às margens do rio Lot, no sudoeste da França

A introdução da cultura da vinha na Gascônia teve início no Império Romano, consolidou-se ao longo da Idade Média e ganhou força no final do século XVIII, com a conquista do mercado inglês. Foi justamente a partir de 1776 que o vinho feito com a “côt” (outro nome da malbec) passou a entrar na Inglaterra com as mesmas taxas que já recebia a produção da vizinha Bordeaux.

Por falar em Bordeaux, a malbec é uma das tintas permitidas no famoso blend bordalês. Ali, já foi muito cultivada, mas perdeu espaço para a cabernet sauvignon, merlot, cabernet franc e petit verdot. Hoje, seu cultivo tem algum destaque nas sub-regiões de “Côtes de Bourg”, “Blaye” e “Entre-Deux-Mers”.

Argentina x França

Em 17 de abril de 1853 (olha o 17 de abril aí!), Domingos Faustino Sarmiento – que na década seguinte viria a se tornar presidente da Argentina – incumbiu o agrônomo francês Michel Aimé Pouget da missão de modernizar a produção local da uva de do vinho.

Michel Aimé Pouget

Pouget trouxe e testou localmente várias cepas de uvas europeias. A boa adaptação da malbec fez com que seu cultivo avançasse, especialmente conduzido por imigrantes italianos e franceses. Esse pioneiros também introduziram técnicas de vinificação francesas, as quais foram gradualmente adaptadas à realidade local e formaram uma bases importante da enologia argentina.

O desenvolvimento da cultura da vinha na Argentina contou com muitos imigrantes, especialmente italianos e franceses.

Enquanto isso (por volta de 1870), um pulgão vindo da América do Norte chega à Europa e começa a dizimar os parreirais. Era a filoxera! A França foi um dos locais mais afetados e situação só começou a normalizar após o desenvolvimento de uma técnica de enxertia resistente ao inseto, quase 30 anos depois.

Algumas regiões (como Cahors), no entanto, não se recuperaram de imediato fazendo com que seu vinho ficasse ‘adormecido’. A malbec (agora enxertada) retornou a Bordeaux, onde se tornou uma das variedades predominantes na primeira metade do século XX. Contudo, a forte geada de 1956 evidenciou sua fragilidade e a casta foi gradualmente substituída.

Os problemas da Europa não atingiram a malbec argentina, que continuou prosperando. Na década de 1990, Nicolás Catena inicia experiências bem sucedidas com o plantio de cepa em altitudes entre 800 m e 1.500 m acima do nível do mar. Em seus experimentos, o produtor também selecionou clones mais adaptados às novas condições.

O bom resultado da malbec de altitude fez a fama de enólogos locais (como Susana Balbo e Jorge Ricitelli) e atraiu renomados estrangeiros (Paul Hobbs, Michael Rolland e outros). Hoje, há diversos rótulos de malbec argentino no topo de rankings festejados como Robert Parker, James Suckling ou Tim Atkins.

A enóloga e produtora argentina Susana Balbo.

E foi justamente esse interesse mais recente pela malbec, trazido pelo sucesso argentino, que fez a côt francesa de Cahors despertar. Os varietais da região estão em alta e seus vinhedos e produtores tem conseguido captar muitos investimentos.

Nada que abale a liderança Argentina, que hoje registra mais de 20 mil hectares plantados da malbec, enquanto Cahors tem apenas de 4 mil (a França toda não chega a 7 mil hectares de malbec). Outras partes do mundo, entre elas o Chile, somam 5 mil hectares da cepa.

Contudo, a malbec argentina não é exatamente igual suas irmãs francesas atuais. A variedade de nossos hermanos tem cachos mais densos e bagas menores. Estudos modernos sugerem que as mudas trazidas por Pouget são de uma variante francesa extinta por lá, provavelmente durante a crise da filoxera.

Para saber mais:

Wines of Argentina: https://www.winesofargentina.org/pt

Revista Adega: https://revistaadega.uol.com.br/artigo/cahors-outra-terra-da-malbec_439.html

Para experimentar um malbec a preços justos:

https://bacanas.com.br/uva/malbec/

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